31/10/11

Prejuízos da copa de 2014

A copa do mundo de futebol, além de um grande espetáculo é, de fato, um enorme negócio que envolve bilhões de dólares e que traz vários prejuízos ao país.

Algumas deles que já presenciamos ocorrendo em jogos normais como violência nos estádios, assalto e mortes com certeza irão aumentar, porque a segurança vai estar voltada aos estádios e alojamentos.

Além disso, sem a segurança que precisamos aqui no país, pode aumentar o consumo de drogas e contrabando, o que também é grave e ilegal.

Prejudicados também serão os empresários patrocinadores e demais agentes empresariais globais envolvidos, pois está em jogo um grande lucro para eles,além da população brasileira que sofre na pele constantemente as conseqüências.

Segundo pesquisa divulgadas sobre estudos sobre o assunto serão investidos mais de US$ 5 milhões na preparação do evento e que talvez coisas não importantes entrem na lista para construção. E depois da copa quem vai utilizar isso tudo? Vão ficar por aí sem podermos usufruir as coisas que eles fizeram com o nosso dinheiro?

Segundo pesquisa divulgada na Folha de São Paulo, o transporte desde setembro de 2006, quando a crise aérea atingiu o ápice, o Brasil já perdeu o equivalente a US$ 3 bilhões. Em São Paulo, a lentidão média do trânsito às 19 h é de 20 quilômetros, que com a copa seria pior, pois o número de turistas seria muito grande, sem falar na população do país que já é muito grande.

Há os que acreditam que a vida dos jogos mundiais será benéfica alegando que haverá investimentos, mas porque esperar tanto tempo para melhorar a vida dos brasileiro?

Dos 12 ,há 4 estádios no país que não cobrirão os investimentos, por sediarem jogos sem grande interesse público e serem localizados em estados sem grande tradição no futebol,já batizados por elefante branco e quem reconhece o termo sabe o custo que tem à população.

Bom, estamos aqui torcendo para que pensem bem nos gastos e que não façam coisas inúteis para o nosso país, pois precisamos de coisas mais importantes, que deixem o Brasil como um país de primeiro mundo.

Copa de 2014 fará lucro nos estádios chegar a R$ 330 milhões

Como é hoje o anúncio oficial, durante o 59º Congresso da Fifa, nas Bahamas, das 12 cidades brasileiras que receberão jogos da Copa de 2014, vem bem a calhar o estudo realizado pela Casual Auditores Independentes. Eu o recebi de Amir Somoggi, um dos responsáveis pelo relatório final de 12 páginas elaborado pelo conceituado escritório paulista, o mesmo que produz o ranking anual das maiores receitas entre os clubes brasileiros.

Trata-se de um trabalho para vencer as resistências dos que ainda torcem o nariz para a Copa no Brasil. Chama-se "Impacto Econômico da Copa de 2014 no Brasil".

Nem vou mencionar nos benefícios que as obras de infraestrutura exigidas pela Fifa eternizarão nas cidades. Em Porto Alegre, por exemplo: duplicação da Avenida Beira-Rio, o metrô alongado do Mercado Público até o bairro Menino Deus para transportar 290 mil pessoas por dia, a duplicação da Avenida Moab Caldas (Tronco), o prolongamento da Voluntários da Pátria, a nova pista do Aeroporto Salgado Filho. Será uma nova capital dos gaúchos a de 2014.

Mas fiquemos, por ora, apenas na parte esportiva. A Copa de 2006, da Alemanha tornou-se exemplo planetário. Para além dos benefícios em infraestrutura, o investimento de 1,5 bilhão de euros na reforma e construção dos estádios revolucionaram o futebol no país.

Após a Copa de 2006 a Bundesliga tornou-se a segunda colocada em geração de receitas entre as ligas de primeira divisão da Europa. Só perde para a Inglaterra. Antes, era quarta força econômica.

Mas repare neste trecho do relatório da Casual Auditores Independentes. Vou reproduzi-lo porque ele é claro. Não tem aquela linguagem técnica condenada a confundir em vez de explicar:

Em um novo contexto de oferta de serviços de mais qualidade para o torcedor, o mercado brasileiro poderia passar dos atuais um terço de ocupação de seus jogos para uma evolução constante de seu índice até 50% em 2009. E chegar a até 100% em 2014. O mercado brasileiro de clubes de futebol pode encerrar 2014 produzindo R$ 330 milhões em seus estádios.

R$ 330 milhões!

Agora eu pergunto: você já imaginou um Brasileirão com estádios modernos e lotados quase sempre, capazes de incrementar a receita dos clubes como projeta o relatório? Quantos bons jogadores poderiam ser contratados com este acréscimo de renda? E a praga dos salários atrasados: não terminaria de vez? Tal organização não tornaria os clubes aptos a negociarem patrocínios mais altos? Inter e Grêmio ficariam com os cerca de R$ 4,5 milhões por ano do Banrisul ou buscariam o patamar do São Paulo, que recebe R$ 16 milhões da LG?

É claro que a continuidade deste cenário nos clubes dependerá da gestão eficiente dos dirigentes. Mas não resta dúvida que a Copa de 2014 vai pavimentar o caminho. Quem quiser que pegue a estrada.

Estádio na Alemanha custa 63% da reforma da Arena da Baixada

Acontecerá na Alemanha a Liga Total Cup, nos dias 19 e 20 de julho. Nesta competição, será inaugurando o novo estadio que abrigará os jogos do Mainz 05, 5º colocado na Bundesliga 2010/2011, o Coface Arena. Redundante informar que trata-se de uma arena moderna. Tem capacidade para 34 mil torcedores. Mas o interessante mesmo é o custo: aproximadamente R$ 140 milhões.

O estádio é da Prefeitura de Mainz, que também bancou infraestrutura ao seu redor. Neste domingo, a torcida do clube vai curtir uma inauguração especial. Primeiro ela fará sua despedida oficial do velho Bruchweg Stadion. Em seguida, milhares de fãs vão caminhar até a nova casa do time para festejar o "lar" recém-construído.

As informações acima são de Gerd Wenzel, especialista em futebol alemão dos canais ESPN. Importante: de todos os estádios a serem reformados ou construídos para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o que está com orçamento mais baixo é a Arena da Baixada, em Curitiba: R$ 220 milhões.

Ou seja, a construção de um estádio inteiro na Alemanha, cuja renda per capita gira na casa dos US$ 36 mil — no Brasil são US$ 10.814 — custa 63% da adaptação feita na propriedade do Atlético para atender às exigências da Fifa. O "baratinho" Coface Arena vai receber os jogos do Mainz na Bundesliga e na Liga Europa a partir deste ano. Alguém consegue explicar isso?

Claro, óbvio, evidente que as "exigências da Fifa", muitas delas estapafúrdias, elevam os custos das obras para 2014 a patamares estratosféricos. É uma das explicações, sabemos disso. Mas responda: um estádio que atende ao torcedor alemão é ruim? Deixa a desejar?

Você atenderia às tais "exigências" da "Dona" Fifa? Mesmo sabendo o que ela representa e depois dos recentes escândalos envolvendo corrupção que repercutiram em todo o planeta? É preciso gastar tanto? Outro detalhe: cada lugar na nova Arena da Baixada, só pela reforma, fora o que já está lá construído há anos e funcionando bem, sairá por quase R$ 4,9 mil. Na Arena onde atuará o Mainz 05 o custo unitário foi de R$ 4,1 mil.

Veja, abaixo, o vídeo que apresenta a nova praça esportiva alemã:


(Fonte: ESPN Brasil)

25/10/11

A roubalheira vai começar!

Estamos aqui para curtir ao vivo todas as emoções da Copa do Mundo do Brasil! Uma competição inédita! Cheia de jogadas inesquecíveis protagonizadas pelos nossos cartolas, chapéus inenarráveis dados nos torcedores (e contribuintes) brasileiros e dribles espetaculares nas leis de responsabilidade fiscal e na probidade administrativa.

Afinal de contas, antes de ser o país do futebol e a pátria de chuteiras, somos a nação da roubalheira. Os torcedores gostam de ver e de jogar bola, mas os dirigentes querem mesmo é levar umas boladas e não poupam esforços em armar suas jogadas nos bastidores. O futebol é mais um retrato fiel do brasileiro. Uma contradição ambulante e uniformizada. Somos o país do “Pelé eterno”, mas também do “Pelé de terno”. O jogador que encantou o mundo com seus lances geniais é o mesmo homem que se envolve em negociatas escusas, dando, na vida, as pisadas na bola que não deu em campo.

Como explicar que uma entidade como a CBF, que cobra até US$ 1 milhão por um amistoso da seleção, fatura alto em direitos de transmissão, fechou um contrato milionário com uma empresa suíça e vende produtos em todo o mundo, feche o balanço todos os anos com enormes prejuízos? E como essas contas absurdas e hediondas são aprovadas por unanimidade por todos os presidentes de federações? Como é que o presidente da entidade, o senhor Ricardo Texeira, a despeito de todos esses sucessivos prejuízos, multiplicou seu patrimônio desde que assumiu o cargo?

E, vejam vocês, não é que o senhor presidente quer construir estádios em quase todas as cidades sedes da Copa? Ora, ora, ora. Construir estádios? Voltemos no tempo, amigos. Sei que o brasileiro médio não tem memória, mas este colunista aqui se lembra muito bem do longínquo ano de 2007 depois de Cristo. Naquele ano, foi realizado um evento esportivo muito importante no Brasil e construído um estádio de futebol. Essa praça de esportes construída no Rio de Janeiro e que acabou custando muito mais do que o previsto. Aliás, o evento todo, que deveria sair por cerca de R$ 300 milhões, acabou custando a você e a mim, nada menos que R$ 3 bilhões! Sério, ainda estou pagando as prestações. Você não?

Imaginem vocês como vai ser se construírem estádios em todas as capitais que recebam jogos? Como não vai ser a farra com o dinheiro público, senhores? Serão bilhões embolsados em todo território nacional, sob o pretexto de terem sido investidos em concreto e com a justificativa da arte. Por isso que todo mundo quer jogos em suas cidades. Tem até um garboso deputado conterrâneo que recebeu o mandato de presente do papai levantando essa bandeira em prol do RN. Bem, no caso dele pode ser tanto uma saída pela total falta de discurso ou vontade de ficar com uma fatia do bolo também.

Natal sede de Copa do Mundo? É pra rir ou é pra chorar? Se os dirigentes papa-jerimuns não conseguem organizar nem uma fila de jogo de série A (perguntem a qualquer um que foi ver América x Flamengo), eles vão se sair bem num jogo de Copa? Fala sério! Aliás, por falar em cartolas potiguares, alguém aí sabe dizer se a federação local já explicou as acusações de corrupção feitas pelo Ministério Público e divulgadas nacionalmente pela ESPN? E a renda do jogo entre Vasco x Baraúnas? Apareceu?

Outro péssimo indício desta Copa de 2014 é a presença de políticos. Alguém aí consegue imaginar o José Serra ou o Aécio Neves numa arquibancada de estádio com interesse sincero em acompanhar seus times? Que paixão avassaladora foi essa que despertou nos corações de ambos pelo centenário esporte bretão? O Aécio a gente até sabe que gosta de umas peladas, mas ali é diferente. E o governador do Amazonas?! Teve a cara de pau de dizer que será bom para a preservação das florestas se Manaus for uma das sedes. Qual a relação, meu Deus?! Quase que eu saio correndo comprar um nariz de palhaço quando ouvi isso.

Ah, e tem o Paulo Coelho também. O bruxo, clone do Peter Gabriel, que foi ensinar a todos a mágica do desaparecimento das rendas. Aliás, será que foi isso? Pois desconfio que nossos cartolas já saibam essa mágica faz tempo.

Pois é isso, meus amigos! A confirmação de mais uma Copa do Mundo no Brasil foi feita. E com esse anúncio caiu por terra uma das máximas recentes do esporte: “Não tem mais bobo no futebol.” Na verdade, tem sim: o torcedor.
 
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